Movimento Espontâneo

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Implicando com as palavras.

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Você presta atenção nas palavras? No jeito como as pessoas falam ou quando começam a usar um termo fora do costume de antes? Caraca! Eu presto. Deve ser uma neurose, sei lá. Até porque eu trabalho escrevendo, não consigo evitar. É uma coisa que corrói por dentro, entende. Outro dia eu fiquei prestando atenção das palavras do mundo corporativo. Acho que decretaram alguma lei no qual a palavra funcionário não existe mais. Assim como decapitaram o sinal de trema, hoje em dia toda a cultura corporativa só fala em colaborador.

Agora me diz uma coisa: qual a diferença disso? Será que funcionário ficou “demodê”? Se bem que, no mundo das palavras, elas também tendem a ficar “out”. Até o termo que usei antes, “demodê”, tá “demodê”. Oui monsier e madam, presta atenção só num empresário falando. É assim ó: “o nosso quadro de colaboradores crescerá em 2010 consideravelmente”. Se você é uma dessas empresas de colaboradores, cuidado hein. Tu sabe como é patrão.

Num país como o nosso, é até compreensível fazerem pouco caso da palavra “funcionário”. Lembra muita vezes coisa de otário, de quem está preso por obrigação. As palavras até rimaram. Por outro lado, “colaborador”, soa como uma camuflagem. Do tipo: você colabora para a nossa família, nossa empresa, coisa e tal. Vem cá, cara pálida, desde quando a empresa é minha? Não vi nenhum contrato dizendo que tenho ações dela ou coisa parecida.

Nossa! Eu tive uma professora de português que ia a-do-rar esta questão. Pra ficar brincando com as palavras, sabe. Ela iria dividir a turma em dois times: o grupo dos funcionários versus o grupo dos colaboradores. Depois pegaria sua caneta Pilot e iria para o quadro fazer uma espécie de gincana de erros e acertos. Ela era daquelas que gostava de métodos alternativos de aprendizado. Ela era tão animada que você nem iria suspeitar do verdadeiro significado dessas palavras no dia a dia.

Bom, saindo do momento nostalgia/escola, sou que nem você, que trabalha, que sai muitas vezes de casa sem tomar café (acho isso uó) e pega engarrafamentos que ninguém mais acredita que seja engarrafamento. Uma coisa eu ainda vou descobrir: se existe realmente alguma diferença entre ser colaborador e funcionário. Porque quando chega o final do mês, essas duas palavras perdem completamente o significado. E pra você?

Autor: Movimento Espontâneo

Tá curioso? Nem se você conhecesse a gente durante muitos anos conseguiria desvendar todas as nossas facetas. hahahahahahahaha (risadinha do Vicent Price no clip Thriller, do Michael Jackson) Ah cansei. O Movimento Espontâneo é feito por Christiane Gomes, blogueira, publicitária, produtora musical e pau pra quase toda obra.

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